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Setembro 25, 2022

Canal Balneário

Histórias do desporto na primeira pessoa, do futebol ao berlinde, do nacional ao distrital

Um “Balneário do Inatel” Especial

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capa pigeiros

Campo de Futebol Manuel de Oliveira Péd'arca

Este fim de semana o Balneário fez-se à estrada para uma edição do Balneário do Inatel especial. O espaço habitualmente comandado por Hugo Loureiro transformou-se numa curta viagem a Pigeiros para surpreender o próprio Loureiro. Acontece que o Loureiro defende a baliza do Palhota e era dia de dérbi contra o Pigeirense.

Antes de avançar, é importante que o Mundo saiba que o Pigeirense é o clube da freguesia de Pigeiros, em Santa Maria da Feira. Um freguesia que, segundo dados oficiais terá uma população de cerca de 1200 pessoas. Até aqui nada de novo. O facto digno de ressalva é que o Pigeirense é “só” talvez o clube mais reputado e titulado no INATEL português, com um palmarés que conta com distinções internacionais. Os mais fieis seguidores da nossa página, lembram-se certamente da entrevista com o Hugo Brandão, onde ele nos conta algumas histórias dessas lutas internacionais deste que é, destacadamente, o mais histórico clube do INATEL de Aveiro e por quem todos os adversários nutrem respeito.

A nossa vontade de fazer “alguma coisa” em Pigeiros era antiga e, juntando o útil ao agradável, desafiei o Pedro a ir assistir ao jogo.

Sem deixar de falar do Palhota, de quem haveremos de falar mais tarde, é preciso (e não me canso) de falar do CCD Pigeirense. Se há instituições de quem importa saber num mundo de Mancherster City, PSG e Newcastle, são instituições como o Pigeiros onde cada conquista, dentro ou fora do campo, nasce do trabalho de um grupo de pessoas que dá o que tem sem nada em troca. E dar o que tem, pode ser a entrega ao jogo ou “dar o corpo ao manifesto” numa ou outra obra que seja precisa no campo.

E falemos do campo: passo várias vezes em trabalho ao lado do Campo de Futebol Manuel de Oliveira Péd’arca e é sempre um enorme exercício de nostalgia. Vi o meu pai jogar ali, pude treinar ali com uma equipa de rugby que tive e joguei em rapaz em muitos campos como aquele. Quero com isto dizer que o Pigeirense tem instalações paradas no tempo? Não. Elas estão no tempo certo. O tempo do futebol jogado pelos jogadores da terra e por amor à camisola, onde as conquistas valem mais exatamente por isso. Um espaço onde todos são bem-vindos mas onde “jogar em casa” pesa efetivamente como um 12º elemento e os atletas “vestem” essa armadura com orgulho. E mais: durante a nossa estadia por ali, soubemos que há ambiciosos projetos para aquele espaço, mas claro que caberá à direção revelar.

A direção que é encabeçada por Carlos Daniel (que participou já em algumas tertúlias nossas sobre o INATEL), que além de presidente é o avançado. Mais um traço raro no futebol de hoje, onde cada vez mais quem decide pouca ideia faz do que é atar a chuteira e sangrar (fisicamente ou metaforicamente) dentro de campo.

O Balneário sempre foi bem recebido em todos os campos onde passou e calro que o Campo de Futebol Manuel de Oliveira Péd’arca não foi exceção. Logo nos puseram à vontade sobre o que filmar, onde filmar e até onde guardar as coisas! Arranjaram-nos um espaço na pequena rouparia do clube, onde vos garanto que não faltava nada para qualquer eventualidade.

E quanto à moldura humana… As imagens do vídeo falarão melhor do que qualquer coisa que eu possa escrever.

Nascido e criado em Nogueira do Cravo, uma terra com um pelado que também era famoso enquanto existiu, e habituado a passar os verões (e alguns invernos) a brincar com a bola nesses terrenos duros e impiedosos onde só os mais apaixonados se aguentavam, ir ali foi para mim recuar 25 anos no tempo para esses momentos em que, como puto sonhador, me esfarrapava no pelado, e como puto adepto ia a pé pelo meio do mato para ver a bola.

Enquanto houver Pigeirense e o Campo de Futebol Manuel de Oliveira Péd’arca, o futebol não morrerá. Nem que o dinheiro queira.

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