RC Lousã: “Não vamos aceitar participar na Divisão de Honra TOP12”
Imagem: Trevim.pt
O Rugby Clube da Lousã conquistou o título de Campeão Nacional da Divisão de Honra CN1 na temporada 2025/2026. Em entrevista exclusiva ao Canal Balneário, o fundador e presidente do clube, José Redondo, fez um balanço detalhado da época e revelou uma decisão surpreendente relativamente à próxima temporada.
Balanço de uma temporada vitoriosa
Para José Redondo, o título conquistado é o grande marco da época:
“O facto de termos sido campeões do CN1 é por si só determinante para a temporada ter sido positiva sobretudo a nível sénior.”
O momento mais emocionante da temporada aconteceu na final contra o Direito, equipa que tinha vencido o RC Lousã nos dois jogos da fase regular.
“O momento mais marcante de toda a temporada foi sem qualquer dúvida o jogo da final contra o Direito. Atendendo que durante a temporada tínhamos perdido os dois únicos jogos, precisamente contra eles. E ainda mais marcante foi o facto de nesse encontro termos ficado reduzidos a 14 jogadores a partir dos 10 minutos e ainda termos um amarelo. Quinze contra treze foi um momento muito complicado.”
Principais dificuldades enfrentadas
O presidente não esconde que a época foi exigente, especialmente devido ao reduzido número de atletas disponíveis:
“A principal dificuldade foi saber gerir um grupo de trabalho bastante reduzido, aliado ao facto de ter havido vários atletas que não puderam colaborar, fosse por lesão, fosse por terem ido para Erasmus. Além dum grupo reduzido tivemos uma outra dificuldade, que foi só termos feito 5 jogos até ao final de dezembro. Manter uma equipa ativa e interessada nos treinos sem haver jogos é uma situação tremendamente difícil em equipas amadoras.”
O papel decisivo da equipa técnica
José Redondo destaca o contributo fundamental do treinador Claudio Venturino e da estrutura diretiva que o acompanha:
“O Claudio foi uma das chaves do êxito da equipa sénior. Fosse nos aspetos técnicos e táticos que introduziu na equipa, fosse sobretudo pela forma como soube gerir um grupo de trabalho tão diversificado e de tantas origens diferentes.”
O presidente elogia ainda os diretores que estão no clube desde 2013: Ricardo Rodrigues (Chico), Diretor Desportivo com mais de 40 anos ligados ao rugby português, João Magro (responsável pelas contratações), Paulo Batista (diretor da equipa sénior) e o capitão Paulo Marques, que acumula funções de treinador adjunto.
Recrutamento de estrangeiros e espírito de grupo
Sobre o processo de recrutamento de jogadores estrangeiros, Redondo explica:
“O recrutamento passa pelo vice-presidente João Magro. É ele que recebe os contactos e determina aqueles que depois são indicados aos restantes elementos do grupo e muito especialmente ao treinador principal. Posteriormente fala comigo que, naturalmente, tenho a última palavra ($$$) na decisão.”
Questionado sobre os jogadores que mais se destacaram, o presidente optou por não individualizar:
“Como Presidente do Clube não desejo enumerar quem foram para mim os melhores e os que mais contribuíram para o êxito. Conseguiu-se criar um espírito de grupo extraordinário e não quero cometer a injustiça e a deselegância de nomear uns em detrimento de outros.”
O significado do regresso ao TOP12
Apesar da conquista, José Redondo coloca o título numa perspetiva histórica:
“A subida não é nenhuma surpresa para o clube. Desde 1987 aquando da 1ª subida ao Top, já estivemos 27 vezes nestes 39 anos, uma percentagem de 70% digna de nota. (…) Sendo importante o título, ele não é mais do que um facto passageiro que dá enorme alegria a toda a estrutura e aos lousanenses. Não mais do que isso.”
Decisão surpreendente: não subir ao TOP12
A declaração mais forte da entrevista surge quando questionado sobre os objetivos para 2026/2027:
“De acordo com a maioria dos atletas séniores e a totalidade da direção o clube não vai aceitar participar na DH.”
José Redondo justifica a decisão com realismo:
“O clube está no limbo entre as piores da DH e os melhores do CN1. Repare-se que clubes com melhores condições que a Lousã como por exemplo a Académica e o CDUP só alcançaram 3 vitórias nesta época. Numa vila pequena como a Lousã (9.000 habitantes) entrar numa competição onde a diferença entre os melhores 8/9 clubes e os restantes é enorme, é difícil construir o que quer que seja com qualidade. É sempre a remendar e a tentar perder pelo menor número de pontos possível.”
O presidente mostra preocupação com a sustentabilidade do clube e o desenvolvimento local:
“Não imaginam o que me constrange ver algumas vezes a equipa entrar em campo com menos de 10 atletas lousanenses. (…) E se ficarmos no CN1 eles vão ter oportunidade de fazer o desporto que amam e não se afastam do clube. Como sempre disse, há que saber calçar o sapato à medida do pé.”
Futuro: aposta forte na formação
Com a decisão de permanecer no CN1, o clube vai direcionar mais esforços para as camadas jovens:
“Como disse o regresso à elite não está garantida e por isso vamos ter mais tempo para que o clube se dedique a todos os outros setores e sobretudo às categorias mais jovens. É aí que vamos apostar forte.”
Redondo admite que a ligação entre a equipa sénior e a formação “correu um bocado mal” esta época, especialmente com os jogadores estrangeiros, mas garante que a situação será corrigida na próxima temporada, nomeadamente através de contratos-programa com o Agrupamento Escolar.
