Futebol em Portugal
Mais um confinamento geral e, em princípio, mais um mês sem formação a nível desportivo em Portugal. Para além disso a dúvida persiste relativamente ao Campeonato Portugal (III Divisão Nacional) enquanto que todas as Distritais vão parar. Pensando que a data prevista para fim deste confinamento é em Fevereiro vamos passar para 11 meses sem competição para a Formação e 9 meses com treinos condicionados.
O que diriam os nossos CAMPEÕES EUROPEUS e CAMPEÕES DA LIGA DAS NAÇÕES se neste momento estivessem no seu processo de formação ou nos primeiros anos de sénior?? Talvez não tivessem a qualidade que têm hoje. Talvez o que alcançámos em termos desportivos não tivesse sido alcançado.
Estatisticamente, dos 37 jogadores convocados para as duas conquistas a nível futebolístico, 7 pertenceram a escalões jovens de clubes que na altura pertenciam à 1ªLiga, os restantes passaram por todo o tipo de contextos desde o Padroense, ao Domingos Sávio, ao Leiria e Marrazes e tantos outros, que provavelmente têm tido números de desistências gigantes devido a todas as restrições.
Para além disso, nos primeiros anos de escalão sénior apenas 11 dos campeões pertenceram a equipas de 1ªLiga Nacional ou Estrangeira, ou seja, 26 atletas neste momento estariam numa 2ªLiga ou Campeonato Portugal sempre na dúvida se iriam competir ou não devido à pouca importância que tem sido dada a estes campeonatos que como se vê têm uma importância muito grande.
Ainda em relação às Seleções Nacionais Jovens devido à falta de competição não têm havido convocatórias nem estágios, ou seja, neste momento 30 dos campeões estariam parados a este nível.
Estes dados foram retirados do site Transfermarkt e Zerozero e podem notar a partir das fotos os dados que apresentei sendo que estão destacados os dados importantes.


Infelizmente isto não diz tudo sobre o que se passa visto que muitos destes Campeões fartam-se de contar histórias em relação às horas que passavam a jogar futebol fora dos treinos, tendo níveis de atividade física muito grandes comparados com o que hoje em dia os contextos dos clubes conseguem oferecer. Portanto para além do futuro competitivo nacional, temos em mãos um problema futuro de saúde de várias gerações de jovens e isto quando olhamos para a principal modalidade em Portugal porque as outras modalidades estão a ser igualmente ou mais afetadas e os números de desistências são ainda maiores. Refiro desde já que o que me afeta não é a má reflexão das entidades mas sim a irreflexão por parte das mesmas em relação a toda esta situação.
Vamos ver o que o futuro nos reserva.
