Sanjoanense de gala!
Os jogos da Taça de Portugal conseguem proporcionar jogos mais apelativos ao espetáculo. As diferenças ficam mais diluídas sejam elas financeiras, estruturais e até a capacidade técnica e tática.
No passado sábado, o Conde Dias Garcia recebeu um ilustre convidado que o sorteio assim ditou. Um histórico do Nosso Futebol Nacional, um ex Campeão Nacional… O VERDADEIRO C. F. “Os Belenenses”.
Com ilustre convidado, os Sanjoanenses também compareceram em bom número e o adversário não ficou atrás fazendo corar alguns clubes vizinhos que apenas se fazem acompanhar por meia duzia de “gatos pingados”. Os de Belém tinha mais ou menos uma centena de adeptos a apoiar.
Quem pagou bilhete, foi certamente um bom investimento. A partida foi completamente dominada pelos Auri Negros. O Belenenses, que nunca cheguei a perceber se estrategicamente ou por incapacidade mal conseguia sair do “ferrolho”.
Apesar do domínio dos comandados de Tiago Moutinho, já em tempo de compensação do primeiro tempo, o árbitro Marco Cruz assinalou castigo máximo a favor dos Homens de Belém. No Meu entender, o lance merecia um VAR e com toda a imparcialidade que me compete analisar o lance ao vivo e a uma distancia de vinte metros… diria simulação!
O castigo máximo foi convertido por Pedro Martelo, e os forasteiros sem nada terem feito foram em vantagem para o descanso.
No intervalo do encontro o Sanjoanense e Internacional António Sousa foi homenageado pela SAD da ADS (ver mais no final deste artigo).
Na segunda metade, a ADS foi obrigada a arriscar mais a subir as linhas e estar um pouco mais desequilibrada em termos defensivos. Foi aqui que os Homens de Bruno Dias por vezes conseguiam chegar ao último reduto Sanjoanense, mas sempre ou quase sempre sem sucesso.
Já perto do término do encontro (82′), Nuno Barbosa coloca alguma justiça no marcador e obriga ambas as equipas a horas extras.
No inicio das horas extras, os “Unhas Negras” continuaram a mandar no encontro em todos os seus momentos. Uma bela triangulação na lateral direita e com um cruzamento com conta, peso e medida certa para a cabeça de Elijah Benedict (95′), a “remontada” estava feita. Tudo parecia completamente dominado pelos Sanjoanenses e com o público empolgado, tudo parecia bem encaminhado.
No entanto, num lance individual de Clé, com alguns ressaltos pelo caminho, surge um remate à entrada da àrea, ao que o atleta da casa em esforço tenta cortar a bola. Só que a bola foi bater num braço que andava ali perdido. Castigo máximo sem qualquer dúvida. Chamado para a conversão, Clé teve sangue frio e colocou tudo em igualdade.
Foi um balde água gelada nas hostes Sanjoanenses. Restavam dezassete minutos para três hipóteses, segurar a igualdade e decidir tudo na lotaria dos penalties ou arriscar tudo e seria a morte ou a glória.
A glória apareceu para os Auri Negros num momento de inspiração de Joel Silva (112′), um remate digno de um jogo de Champions ou de levantar um qualquer estádio deste planeta.
A vitória assenta bem aos comandados de Tiago Moutinho, como já tinha dito no início deste artigo, nunca percebi bem se foi Sanjoanense a mais para o Belenenses ou se estrategicamente Bruno Dias veio à procura do erro para passar a eliminatória.

Estádio Conde Dias Garcia
A. D. Sanjoanense: Gabriel Souza (gr); Pedro Araújo, Edgar Almeida (c), Danrlei, Kiko Pereira; Pedro Pinho, Jorge Pereira, Ruben Alves; Marcos Brazion, Nuno Barbosa, Rui Pedro.
Sub: Pedro Pinho – 62′ – Joel Silva; Pedro Araújo – 76′ – Arnold Issoko; Marcos Brazion – 76′ – David Rebelo; Nuno Barbosa – 90′ – Elijah Benedict; Ruben Alves – 106′ – Mário Borges; Rui Pedro – 106′ – Fostino Manga.
Amarelos: Pedro Araújo; Edgar Almeida; Danrlei; Jorge Pereira; Ruben Alves; Rui Pedro
Golos: Nuno Barbosa 82′; Elijah Benedict 95′; Joel Silva 112′.
C. F. “Os Belenenses”: Daniel Azevedo (gr); Fred Martins, Afonso Simão, João Sousa, Gonçalo Maria; Pipo Ferreira (c), Duarte Valente, Xavi Fernandes; Flavinho Junior, Pedro Martelo, Clé.
Sub: Duarte Valente – 46′ – Hélio Cruz; Xavi Fernandes – 59′ – Wagner Pina; Pedro Martelo – 77′ – Dida; Pipo Ferreira – 95 – João Costa; Afonso Simão – 103′ – Romário Carvalho.
Amarelos: Fred Martins; João Sousa; Gonçalo Maria; Duarte Valente; Xavi Fernandes; Hélio Cruz; Dida.
Golos: Pedro Martelo 45’+4′; Clé 103′.
Arbitro: Mauro Cruz. Assistentes: Sérgio Ribeiro e José Ferreira.

Justa Homenagem:
António Augusto Gomes Sousa, nascido a 28 de Abril de 1957.
Nasceu para o futebol na Sanjoanense e passou pela Ovarense, Gil Vicente, Sporting e por mais dois clube sonde realizou mais encontros. Beira Mar com 243 jogos e 42 golos e pelo FC Porto onde realizou 309 jogos e 79 golos.
Foi Internacional A por 27 vezes e apontou um golo. Estevo no Euro 84 e no Mundial do México 86.
Terminou a carreira de jogador na sua Sanjoanense na época 95/96.
Nessa mesma época iniciou a sua carreira de treinador na ADS, passando pelo Beira Mar, Rio Ave, Penafiel e Trofense.
Troféus: 1 Taça Intercontinetal; 1 Super Taça Europeia; 1 Taça dos Campeões Europeus; 1 Primeira Liga; 2 Taças de Portugal; 3 Super Taça Cândido Oliveira.
