Abril 17, 2026

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Sem público há espetáculo?

Sem público há espetáculo?

A falta de público nos nossos espetáculos desportivos foi assunto durante tanto tempo que agora parece ter-se banalizado e estamos todos conformados.

Na passada sexta-feira, dia 15 de Janeiro, a nossa equipa foi ao Pavilhão Dr. Salvador Machado acompanhar o dérbi entre as equipas de basquetebol da Oliveirense e da Ovarense. Numa situação normal, o pavilhão estaria cheio. Não só porque isso já é normal em Oliveira de Azeméis, mas também porque certamente que a massa adepta vareira iria cumprir os poucos quilómetros que separam as duas cidades do distrito de Aveiro e comparecer para apoiar a equipa.

Aliás, as duas últimas vezes que estivemos naquele recinto foram perfeitos exemplos do que é um espetáculo desportivo e da importância do público para a qualidade do show no seu todo. Estivemos no dérbi regional com a Sanjoanense em hóquei e no jogo da Taça do Basquetebol com o Sporting. Meros dias depois do jogo com os Leões, o “bicho” chegava a Portugal e parava tudo.

Na sexta-feira, dei por mim a circular pelo pavilhão e a refletir em algo em que honestamente nunca tinha pensado muito: a falta que faz o público não só ao clube (receitas) mas ao próprio espetáculo. Talvez porque até então só tivesse assistido a jogos na televisão e o “barulho” dos comentadores rouba peso ao ruído (ou falta dele) dos adeptos. A questão é que, estando no pavilhão nas condições atuais, são precisamente os comentadores que nós continuamos ouvir com maior intensidade. E isso não é o natural. O próprio jogo parece menos emotivo e mais demorado.

Depois disso, já na noite de sábado, “apanhei” na Sport TV o UFC – Holloway x Kattar. Não sou seguidor nem sequer fã da modalidade e por isso não farei análises. Deixo isso para o Jou… Mas escutei os comentadores referirem que naquela arena com capacidade para 18 000 pessoas estavam 2 000 com o distanciamento social que agora é, mais do que obrigatório, uma questão de bom senso. Fui então pesquisar por combates que entretanto decorreram sem público na primeira e segunda vaga e a diferença de atmosfera é abismal. E a minha questão é: não podemos sentar as entidades nacionais competentes e estudar uma solução semelhante?

Certamente que não quero colocar 2000 pessoas num pavilhão qualquer. Mas se seguirmos a proporção da arena onde ocorreu o evento da UFC, por exemplo, falamos de uma capacidade de 11%. Se passarmos isso para a realidade do Pavilhão Dr. Salvador Machado que tem capacidade para 2300 pessoas estamos a falar de pouco mais de 250 pessoas. Já fizeram a conta a quantas cadeiras de intervalo entre cada pessoa dá para colocar?

Estas hipotéticas 250 pessoas fariam toda a diferença para o clube, para os jogadores e, em última instância, para o espetáculo. Nesta fase em que tiraram os jovens do desporto enquanto atletas, esta pode ser uma forma de não cortar a ligação completamente.

Queremos voltar. Se houver vontade, podemos criar regras e condições para que isso aconteça.

Por favor.

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