Caldas Rugby Clube “pisca o olho” ao Playoff
Á semelhança do que aconteceu com os clubes da Divisão de Honra*, convidamos também os líderes do CN1 a olhar para o que foi o ano de 2020 e o Caldas Rugby Clube foi o primeiro a responder.
Época com balanço misto
O Vice-Presidente do clube, António Ferreira Marques, fez um balanço misto da época 2020/2021 até ao momento, apontando um conjunto de dificuldades mas também um fator positivo determinante.
Do lado das dificuldades salienta o problema que é “(…) manter em atividade um desporto totalmente amador, muito em particular a impossibilidade (irrealista e totalmente sem sentido) de competição nos escalões não séniores o que tem levado à desistência de muitos jovens da pratica desportiva (num desporto coletivo a competição é o fim em si mesmo da sua pratica)”. A isto acrescenta alguma desilusão por perceber que a paixão e entrega pela causa desportiva parece desaparecer à primeira dificuldade.
Os problemas com a formação são realmente os mais apontados por todos os clubes de todas as modalidades com quem o Balneário tem falado.
Por outro lado, António Ferreira Marques salienta que é nestes momentos que se descobre “os verdadeiros Rugbistas”.
No que toca à competição o Vice-presidente salienta o facto do clube das Caldas se ter já qualificado para o Top 6 do CN1 mesmo com ainda alguns jogos por disputar.
Olhando para o que resta do campeonato, o Caldas Rugby Clube quer disputar a competição até ao final se possível coroando a época com uma participação nos playoffs. No que toca aos escalões jovens o clube ainda alimenta a esperança de que haja competição esta época.
Grupos Regionais foram uma boa opção
O Caldas Rugby Clube aplaude a medida de dividir o CN1 em grupos regionais relembrando que essa foi inclusive uma propostas dos clubes e que “(…) permitiu que a competição se realizasse”.
A pandemia no rugby português
No rugby das Caldas a pandemia teve um grande impacto.
“A nível desportivo a perda de cerca de 50% dos atletas nos escalões não séniores, sobretudo fruto da ausência de perspetivas de competição, é trágico e poderá não ser recuperável a médio prazo. Não se “fazem” jogadores de Rugby, em meia dúzia de meses.” Estas palavras do Vice-presidente do clube são esclarecedoras do “rombo” que a formação levou.
A nível financeiro António Ferreira Marques é muito direto: “Só o apoio das entidades oficiais – autarquia no caso vertente do Caldas RC, permite minorar e manter a atividade”.
Isto deve-se a uma quebra de cerca de 75% nas receitas oriundas de mensalidades, quotas, eventos e patrocínios.
No que toca ao panorama mais global da modalidade no país o dirigente entende que o rugby é “ser o espelho do País Desportivo” e aponta o dedo ao centralismo e alguma falta de capacidade de gestão das coletividades. Ainda que reconheça o importante trabalho ao nível da seleção nacional, o dirigente entende que “o resto continua por fazer e sem qualquer plano operacional – formação de treinadores, árbitros, academias (continuamos a ter só Lisboa, Lisboa, Lisboa …).
* O Balneário contactou nas últimas semanas todas as equipas da Divisão de Honra e os atuais líderes do CN1 com uma série de questões para poder “apalpar” o pulso à modalidade de uma forma o mais abrangente possível. Infelizmente apenas o CDUL e Clube de Rugby das Caldas acederam ao nosso contacto.
